"Aban - Conversando com pessoas da faculdade onde eu estudo, fiquei meio pasmo ao saber que a grande maioria não sabe quem é Marcelo Nova ou quem foi o Camisa de Vênus, não sabem a relevância que vocês tiveram para a história da música nacional. Então, para finalizar, deixe um recado para que as pessoas que não te conhecem, leiam e saibam quem é Marceleza.
MN - Na verdade, isso não me surpreende em momento algum porque nós brasileiros não temos o hábito de preservar nada, muito menos a nossa própria história, infelizmente. Nós estamos sempre em busca de algo novo, da novidade do momento, da novidade do verão, da bola da vez, e assim que esta novidade deixa de ser tão nova, imediatamente é substituída por outra, nessa sofreguidão sem limites, como se nós nunca conseguíssemos estabelecer uma história, uma cultura. Isso é triste não só do ponto de vista artístico, mas do ponto de vista humano. Eu penso que existem universitários e “universiotários”. Os universitários sabem da importância de ler, de ir em busca, de aprender, de não se deixar restringir por estas fronteiras regionais, bobas, tolas. É necessário que a gente veja Glauber Rocha, Plínio Marcos e Raul Seixas e, paralelo a isso, também leia Marcel Proust, tenha contato com outras situações, vivenciar outras estórias. O cinema não é só Spielberg e Hollywood, o cinema também é Luiz Buñel. Existem várias possibilidades, vários artistas gerando arte e criando situações. Eu me lembro que, quando eu morava em Salvador, viajava, pela viação São Geraldo, 28 horas de ônibus para comprar discos no Rio de Janeiro, numa loja chamada Modern Sound. Vinte oito horas de ônibus porque não tinha MTV, não tinha clip, não tinha nada, e a minha referência era estritamente musical. Então, quando eu ia comprar meus discos do Led Zeppelin, de Hendrix, que não saiam no Brasil ou que iam demorar muito para sair, e de artistas que não tinham os seus discos lançados aqui, eu juntava meu dinheirinho, apertava ali, apertava aqui, comprava uma passagem na São Geraldo, ia pra o Rio de Janeiro. Lá, chegava e ia direto para a loja. Dava para comprar 10 ou 12 discos no máximo, e aí eu voltava para a rodoviária com meus discos embaixo do braço e passava mais 28 horas voltando. Ia olhando as capas dos discos, que era a única referência que eu tinha, imaginando que sonoridades estariam contidas nos sulcos daqueles discos, que tipo de sugestões eles iriam me fazer. Aprendi, desde cedo, que todos estes caras que a gente respeita até hoje, foram caras que nos fizeram ver a vida por um outro ângulo. Nos possibilitaram uma mudança, nos esbofetearam literalmente na face para dizer: “olha, não é nada disso que você está pensando, olha aqui, concorde se quiser mas olhe, veja, sinta, cheire, mergulhe”. Então, para os universitários eu digo é isso aí. E para os “universiotários”, estes não preciso dizer nada, estes ligam a televisão, assistem o Big Brother e vibram quando aparece o Alexandre Frota (risos histéricos). Postado em Segunda, dezembro 06 @ 20:19:47 BRDT por aban"
Leiam essa "feroz" entrevista, na sua forma completa, atravez desse link: http://www.agenciabaiana.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=289
***Camisa de Venus-A Canção do Martelo***