nOsSa mÃe?

Ave Maria da Rua
(Raul Seixas)
No lixo dos quintais, na mesa do café, no amor dos carnavais, na mão, no pé, oh! Tu estás, tu estás no tapa e no perdão, no ódio e na oração. Teu nome é Iemanjá, e é virgem Maria, é Glória e é Cecília na noite fria, oh! Minha mãe, minha filha, tu és qualquer mulher, mulher em qualquer dia. Bastou o teu olhar pra me calar a voz, de onde está você, rogai por nós, oh! Minha mãe, minha mãe, me ensina a segurar a barra de te amar. Não estou cantando só, cantamos todos nós, mas cada um nasceu com a sua voz, oh! Pra dizer, pra falar de forma diferente o que todo mundo sente. Segure a minha mão quando ela fraquejar e não deixe a solidão me assustar, oh! Minha mãe, nossa mãe, e mata a minha fome nas letras do teu nome, oh! Minha mãe, nossa mãe, e mata a minha fome nas letras do teu nome, oh! Minha mãe, nossa mãe, e mata a minha fome na glória do teu nome
***Raul Seixas-Os Números***
Escrito por !!!!!aNoTheR bOy!!!!! às 15h51
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nOsSa, úNiCa, bElA cErTeZa
Canto para Minha Morte (Raul Seixas)
Eu sei que determinada rua que eu já passei Não tornará o ouvir o som dos meus passos Tem uma revista que eu guardo há muitos anos, E que nunca mais eu vou abrir; Cada vez que eu me despeço de uma pessoa, Pode ser que esta pessoa esteja me vendo pela última vez; A morte, surda, caminha ao meu lado E eu não sei em que esquina ela vai me beijar
Com que rosto ela virá? Será que ela vai deixar eu acabar o que tenho de fazer? Ou será que ela vai me pegar no meio de um copo de uísque, Na música que eu deixei para compor amanhã, Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro? Virá antes de eu encontrar a mulher que me foi destinada, Que está em algum lugar me esperando Embora eu ainda não a conheça?
Vou te encontrar Vestida de cetim Pois em qualquer lugar Esperas só por mim E no teu beijo Provar o gosto estranho Que eu quero e não desejo Mas tenho que encontrar
Vem Mas demore a chegar Eu te detesto e amo Morte, morte, morte que talvez Seja o segredo desta vida Qual será a forma da minha morte Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida? Existem tantas... Um acidente de carro O coração que se recusa a bater no próximo minuto A anestesia mal aplicada A vida mal vivida A ferida mal curada A dor já envelhecida O câncer já espalhado e ainda escondido Ou até quem sabe, O escorregão idiota num dia de sol E a cabeça no meio fio Ó morte, tu que és tão forte Que matas o gato, o rato e o homem Vista-se com tua mais bela roupa quando vieres me buscar Que meu corpo seja cremado Que minhas cinzas alimentem a erva E que a erva alimente outro homem como eu; Porque eu continuarei neste homem Nos meus filhos Na palavra rude que eu disse para alguém que eu não gostava E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite
***O Rappa-O homem Bomba***
Escrito por !!!!!aNoTheR bOy!!!!! às 13h18
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