"Apenas observo esses bravos e confesso: Desejo e necessito de ficar por aqui algum dias. Quem sabe meses. Ou melhor: Anos! É necessário que eu esteja nessa viagem por alguns anos."
Competições, desespero, correria, desassossego...
Competição, agonia, competição... Embarcação lotada, apertada, desconfortável, fria... Significante? Talvez! Presente e única de seres inconformados, ambiciosos e decididos. Rivais, inimigos!
A embarcação já está lotada e o passo para se integrar nesta é raro, porém, poucos continuam a se integrar durante tempos e tempos; a maioria apenas tenta! Mordem-se de desejos, ambições, e desespero enquanto as portas do transporte vão apenas se fechando aos poucos e as feridas dos lutadores se abrindo, se expandindo...
Sangue, sangue! Borbulha entre estradas, ruas, corredores, bibliotecas e espaços pessoais enquanto os seres se acabam, se matam, sem comem e se limitam para conseguirem o tal passaporte para a barca.
Os seres que já fazem parte da embarcação também são desesperados e iludem os de fora para que tal verdade não seja descoberta!
Decepção, ilusão, pavor... Raros amigos... Amigos? Talvez!
Olhos, garras, o desejo de tornar-se único e superior são gigantes! Satisfações pertencem apenas ao meio, fraternidade e possíveis afetos são ímpares.
Todos em busca de um segredo paradoxal; estar ou não, entrar ou sair. Quem sabe permanecer por algum tempo? Não!
Eu?
Apenas observo esses bravos e confesso: Desejo e necessito de ficar por aqui algum dias. Quem sabe meses. Ou melhor: Anos! É necessário que eu esteja nessa viagem por alguns anos.
Em busca do sucesso, tento progredir e estar constantemente em êxtase: Satisfações não-egocêntricas e efusivas!
Observo o farol que é, para nós que já estamos na barca, Deus único e transmissor de tranqüilidade. Não faltam poucas léguas mas já consigo enxerga-lo e enxergo também os que estão ao meu redor e aqueles que se encontram dentro d’água; sem botes, sem bóias... Sem coletes salva-vidas e nenhuma mão para eles estendida. Apenas ondas fortes e ferozes arrastando-os de um lado para outro sem deixa-los ao menos na beira da praia.
Observo o pôr-do-sol...
Eu só quero ser puro...
Apenas puro!